Implantação de sistema de gestão na distribuidora: o que esperar de cada etapa
Como funciona a implantação de um sistema de gestão (ERP) na distribuidora: diagnóstico, dados, configuração, testes, virada e acompanhamento.
Por Equipe Kralen · Publicado em · Atualizado em
Trocar o sistema de gestão dá frio na barriga. A distribuidora não pode parar de faturar, o caminhão precisa sair, o hospital espera o pedido e a nota tem que ser autorizada. Muita gente adia a troca por medo da implantação, mesmo sabendo que o sistema atual já não dá conta.
A boa notícia é que a implantação não precisa ser um salto no escuro. Ela segue etapas conhecidas. Quando cada etapa tem um responsável, uma lista de tarefas e um ponto de conferência, a virada fica muito mais tranquila.
Neste artigo você vai conhecer as etapas da implantação de um sistema de gestão (ERP) numa distribuidora de medicamentos e material médico-hospitalar, o que acontece em cada uma, o que depende da sua equipe, os riscos mais comuns e um checklist para o dia da virada.
Do que depende o tempo da implantação
Não existe um prazo único que sirva para todas as empresas. O tempo depende principalmente de:
- Qualidade dos dados atuais. Cadastros limpos andam rápido. Cadastros duplicados e com tributação errada atrasam tudo.
- Quantidade de módulos. Implantar só vendas e notas é diferente de implantar vendas, estoque, financeiro, compras e licitações juntos.
- Número de filiais e de estados em que a empresa emite nota.
- Integrações: bancos, marketplaces, transportadoras, contador.
- Tempo da equipe interna. Esse é o fator que mais pesa e o mais esquecido.
- O quanto o sistema já traz as rotinas do setor. Quanto menos for preciso desenvolver sob medida, menor o projeto.
Desconfie de prazo prometido antes de alguém olhar seus dados. Um cronograma sério nasce depois do diagnóstico.
Quem precisa participar
Implantação não é projeto só da área de tecnologia. É projeto da operação. Monte uma equipe pequena, com nomes definidos:
- Patrocinador: o dono ou diretor que decide e cobra.
- Responsável interno pelo projeto: organiza agenda, tarefas e pendências.
- Representantes das áreas: comercial, faturamento, fiscal, estoque, compras, financeiro e, se houver, licitações.
- Responsável técnico (RT): o farmacêutico ou profissional responsável perante a vigilância sanitária, que valida o que envolve lote, validade e rastreio.
- Contador: confere a tributação, os arquivos fiscais e o fechamento do mês.
- Equipe do fornecedor: consultores que configuram, treinam e acompanham.
Etapa 1: diagnóstico e planejamento
É o momento de entender a operação antes de mexer em qualquer coisa. O que se faz:
- Reunião de abertura com todos os envolvidos.
- Levantamento dos processos atuais: como o pedido entra, como é separado, como a nota é emitida, como o financeiro baixa os títulos.
- Lista de volumes: quantos produtos, clientes, pedidos e notas por dia.
- Lista de integrações: bancos, transportadoras, marketplaces, contador, portais de licitação que a empresa usa.
- Lista de relatórios que a empresa usa hoje e de quais ainda fazem sentido.
- Definição dos dados que serão migrados e de quem cuida de cada um.
Ponto de conferência: plano do projeto aprovado pelo patrocinador, com responsáveis e datas.
Etapa 2: limpeza e migração dos dados
É a etapa que mais pesa no sucesso. Dado ruim no sistema antigo vira problema no sistema novo. Divida a migração em três partes.
Cadastros
- Clientes, com CNPJ ou CPF, endereço, inscrição estadual, regime tributário e contatos.
- Fornecedores, com documentos sanitários quando houver, como a AFE.
- Produtos, com NCM, CEST quando houver, tributação, registro na ANVISA, unidade e código de barras.
- Tabelas de preço e condições de pagamento.
- Usuários e permissões.
Antes de carregar, revise. Elimine cadastros duplicados, confira NCM e tributação com o contador e confirme os dados de clientes pela consulta do CNPJ.
Saldos
- Estoque por produto, lote, validade e endereço.
- Contas a receber e a pagar em aberto, com vencimentos.
- Pedidos em andamento.
- Saldos de atas de registro de preços e de empenhos, se a empresa vende para governo.
Os saldos entram perto da virada, para refletir a posição mais atual possível.
Históricos
- Vendas dos últimos meses, que ajudam na reposição e nos relatórios.
- Movimentação de lotes, para manter o rastreio.
Decida com a equipe o que precisa vir para o sistema novo e o que pode ficar só para consulta no sistema antigo.
Ponto de conferência: cadastros e saldos conferidos por amostragem, com a assinatura do responsável de cada área.
Etapa 3: configuração das regras
Enquanto os dados são preparados, o sistema é configurado para a realidade da empresa:
- Regras fiscais por tipo de operação e estado: CFOP, ICMS-ST e demais tributos, conferidas com o contador.
- Certificado digital e comunicação com a SEFAZ de cada estado onde a empresa emite.
- Séries e modelos de nota.
- Regras de lote: validade mínima por cliente, bloqueio de lote, ordem de saída.
- Endereços do armazém.
- Bancos, carteiras de boleto e Pix.
- Políticas comerciais: descontos, liberação por senha, limite de crédito.
- Permissões por função.
Ponto de conferência: uma nota de teste emitida em ambiente de homologação (o ambiente de testes da SEFAZ) para cada tipo de operação e cada estado importante.
Etapa 4: testes com casos reais
Antes da virada, a equipe faz o caminho completo no sistema novo, com exemplos reais do dia a dia:
- Pedido de um hospital com validade mínima.
- Pedido para outro estado com substituição tributária.
- Devolução de cliente.
- Entrada de mercadoria pelo XML da nota do fornecedor.
- Separação, conferência e expedição de um pedido com vários lotes.
- Emissão de boleto e baixa do pagamento.
- Bloqueio de um lote e tentativa de venda.
- Busca de todos os clientes que receberam um lote.
Cada área registra o que funcionou e o que precisa de ajuste. Os ajustes são feitos antes da virada.
Ponto de conferência: todos os casos de teste aprovados pelos responsáveis das áreas.
Etapa 5: treinamento por função
Cada pessoa aprende o que vai usar, com os dados da própria empresa:
- Comercial: pedido, orçamento, preços e descontos.
- Faturamento e fiscal: emissão, carta de correção, cancelamento, devolução, contingência, arquivos do SPED.
- Estoque: entrada, endereçamento, separação, conferência, inventário e uso dos aplicativos.
- Compras: necessidade de compra, cotação e ordem de compra.
- Financeiro: contas a receber e a pagar, boletos, conciliação.
- Licitações: editais, propostas, atas e empenhos.
Treine perto da virada. Treinamento muito antes é esquecido.
Etapa 6: a virada
É o momento em que a operação passa a acontecer no sistema novo. Recomendações:
- Escolha um período de menor movimento, como o fim de semana ou o começo do mês.
- Pare de lançar no sistema antigo num horário combinado.
- Carregue os saldos finais e confira.
- Faça um inventário dos itens mais importantes, se possível.
- Mantenha o sistema antigo aberto só para consulta.
- Tenha a equipe do fornecedor de prontidão nos primeiros dias.
Ponto de conferência: pedido, separação, nota autorizada e boleto emitido no sistema novo no primeiro dia de operação.
Etapa 7: acompanhamento e ajustes
As primeiras semanas mostram o que o teste não pegou. Acompanhe todo dia:
- Notas rejeitadas e o motivo.
- Pedidos travados.
- Diferenças de estoque.
- Títulos sem baixa.
- Dúvidas dos usuários.
No fim do primeiro mês, faça o fechamento fiscal com o contador e confira os arquivos gerados. Se a empresa precisa validar o sistema pelas regras da ANVISA, esta também é a hora de registrar o acompanhamento da operação real. Veja o método em Guia 33 da ANVISA na prática.
Ponto de conferência: cada área trabalha sem ajuda no seu processo principal e o primeiro mês foi fechado.
Riscos comuns e como evitar
| Risco | O que acontece | Como evitar |
|---|---|---|
| Cadastro de produto com NCM ou tributação errada | Nota rejeitada ou imposto errado | Revisar com o contador antes de carregar |
| Equipe sem tempo para o projeto | Treinamento fraco e retrabalho | Reservar horas na agenda de cada pessoa |
| Comunicação com a SEFAZ não testada | Nota travada no primeiro dia | Testar cada estado em homologação |
| Saldo diferente entre os sistemas | Estoque e fiscal errados | Conferir saldos e contar os itens principais |
| Mudanças de escopo no meio do projeto | Atraso e custo | Anotar pedidos novos para depois da virada |
| Querer copiar todas as rotinas do sistema antigo | Projeto mais longo e complexo | Avaliar se cada rotina ainda faz sentido |
Checklist para o dia da virada
- Cadastros conferidos e aprovados.
- Saldos de estoque e financeiro carregados e conferidos.
- Certificado digital instalado e válido.
- Nota de teste autorizada para cada tipo de operação.
- Bancos e boletos configurados.
- Usuários criados com as permissões certas.
- Equipe treinada.
- Sistema antigo em modo de consulta.
- Contatos de suporte do fornecedor à mão.
- Plano para os primeiros dias combinado com todas as áreas.
Perguntas frequentes
Preciso parar de vender durante a implantação?
Não. A operação continua no sistema antigo enquanto o novo é preparado. A troca acontece num momento combinado, de preferência num período de menor movimento.
Quanto tempo leva uma implantação?
Depende dos dados, dos módulos, das filiais, das integrações e do tempo da equipe. Um cronograma confiável só sai depois do diagnóstico.
Posso trazer todo o histórico do sistema antigo?
Nem sempre vale a pena. Traga o que é usado no dia a dia, como saldos e histórico recente de vendas e de lotes. O restante pode ficar disponível para consulta no sistema antigo.
O que acontece com as rotinas feitas sob medida no sistema antigo?
Cada uma é avaliada. Algumas já existem no sistema novo, outras podem ser resolvidas por configuração e algumas deixam de ser necessárias.
Quem treina a equipe?
Em geral, a equipe do fornecedor treina os responsáveis de cada área. Depois, eles ajudam os colegas no dia a dia. Combine isso antes de contratar.
O que devo pedir na proposta?
Peça que a proposta diga o que está incluído: migração de dados, configuração, treinamento, acompanhamento na virada e suporte depois. Assim fica mais fácil comparar fornecedores. Veja também o checklist para escolher ERP e a comparação entre ERP online e instalado.
Onde o KWeb entra
O KWeb, sistema de gestão da Kralen na internet, abre no navegador e no celular, sem instalar, e a empresa contrata só os módulos que usa. Isso permite começar pelos módulos mais urgentes e ligar os outros depois. Para conversar sobre a implantação na sua operação, solicite uma demonstração.