NCM
Nomenclatura Comum do Mercosul: código de 8 dígitos que classifica cada produto e serve de base para a tributação.
NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o sistema de classificação de produtos usado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai (Decisão CMC 22/94), derivado do Sistema Harmonizado (SH) da Organização Mundial das Alfândegas (OMA). É a base para as alíquotas de IPI (tabela TIPI), ICMS-ST, imposto de importação e cálculo da MVA. Tem 8 dígitos, no formato XX.XX.XX.XX:
- 2 dígitos: capítulo (98 capítulos no SH).
- 4 dígitos: posição.
- 6 dígitos: subposição (igual em todo o mundo, pelo SH).
- 8 dígitos: item (definido no Mercosul).
Capítulos importantes para o distribuidor de medicamentos e de material médico-hospitalar:
- Capítulo 30: produtos farmacêuticos. Posições: 3001 (glândulas, soros, vacinas), 3002 (sangue humano ou animal, soros imunes, vacinas), 3003 (medicamentos não dosados), 3004 (medicamentos dosados em embalagem para venda, a principal categoria de medicamento), 3005 (curativos, gazes, esparadrapos), 3006 (produtos farmacêuticos especiais).
- Capítulo 28: produtos químicos inorgânicos (alguns insumos farmacêuticos).
- Capítulo 29: produtos químicos orgânicos (insumos farmacêuticos).
- Capítulo 90: instrumentos e aparelhos médico-cirúrgicos. 9018 (instrumentos médicos), 9019 (aparelhos de mecanoterapia), 9021 (OPME ortopédico, neurocirúrgico, cardíaco), 9022 (aparelhos de raios X).
NCM errado é causa frequente de problema na NF-e: a SEFAZ confere o NCM com a TIPI antes de autorizar a nota. CFOP, CST, MVA, imposto de importação e CIDE dependem do NCM. Uma mudança de NCM numa categoria (revisão periódica da TIPI) pode alterar a tributação de um dia para o outro.
Na prática
A mudança de NCM numa categoria, que a Receita Federal faz às vezes ao revisar a TIPI, pode mudar a MVA e o ICMS-ST de um dia para o outro. A distribuidora que não acompanha o Diário Oficial passa a tributar errado e acumula um problema fiscal silencioso por meses.
Erro comum no setor médico-hospitalar: classificar um dispositivo no capítulo 30 (farmacêutico) quando o certo é o 90 (instrumentos). Isso gera tributação errada e chama atenção em auditoria. Os 6 primeiros dígitos são iguais no mundo todo; é nos 2 últimos (item do Mercosul) que aparecem as particularidades locais.
Perguntas frequentes
O NCM é o mesmo em todos os países do Mercosul?
Os 6 primeiros dígitos são universais (Sistema Harmonizado da OMA). Os 2 últimos podem ter particularidades de cada país; em geral o item é harmonizado no Mercosul, mas pode haver exceções.
Onde conferir o NCM correto de um produto?
O portal do Siscomex (Receita Federal) tem o classificador de NCM. A ANVISA e a CMED também publicam o NCM dos medicamentos registrados.
E se eu tiver dúvida sobre o NCM?
A distribuidora pode fazer uma consulta formal à Receita Federal (Solução de Consulta). A resposta obriga a Receita naquele caso específico e serve de referência para casos parecidos.
NCM errado gera autuação?
Pode gerar, principalmente quando o NCM errado leva a pagar menos imposto. A Receita pode reclassificar de forma retroativa e cobrar a diferença com multa de até 75% sobre o tributo não pago.
No KWeb, a inteligência artificial ajuda nessa rotina, sempre com a conferência do usuário.
Leia também: Alíquota zero de PIS/Cofins na distribuidora de medicamentos, Cruzamento SPED e NF-e na distribuidora farmacêutica e Medicamentos em marketplaces e a Lei 15.357.
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