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FEFO na prática: como organizar a separação na distribuidora de medicamentos

Como aplicar o FEFO no dia a dia da separação: endereçamento, pedidos com vários lotes, exceções, conferência de saída e o que registrar para a inspeção.

Por Equipe Kralen · Publicado em · Atualizado em

Quase toda distribuidora de medicamentos diz que trabalha com FEFO, a regra do "vence primeiro, sai primeiro". A pergunta que importa é outra: o que acontece de verdade quando o separador chega na prateleira com um pedido na mão? Ele sabe qual lote pegar? E se o lote mais curto estiver lá em cima, no estoque de reserva?

Este artigo é sobre o chão do armazém. Você vai ver como organizar o estoque para que o FEFO seja fácil de seguir, como resolver pedidos que precisam de mais de um lote, como tratar as exceções, como fechar o ciclo na conferência de saída e o que guardar de registro. Se você quer primeiro entender o conceito e o que a norma pede, leia antes FEFO no sistema: como evitar perdas.

O FEFO depende de três coisas

Para o FEFO funcionar no dia a dia, três coisas precisam estar certas ao mesmo tempo:

  1. A validade certa no sistema. Se a validade entrou errada no recebimento, todo o resto falha.
  2. Cada lote em um lugar conhecido. O sistema precisa saber onde está cada lote para indicar ao separador.
  3. Alguém (ou algo) escolhendo o lote. Se o separador decide sozinho, a regra depende da atenção dele.

Quando uma dessas três falha, o FEFO vira só uma intenção. Vamos ver cada parte.

Parte 1: a validade entra certa no recebimento

O caminhão chegou. Antes de guardar qualquer caixa, o conferente precisa:

  1. Abrir a nota fiscal do fornecedor no sistema (o ideal é dar entrada pelo XML da nota).
  2. Conferir produto e quantidade.
  3. Conferir lote e validade de cada item contra a nota.
  4. Separar o que tem avaria ou divergência em área de quarentena.
  5. Só então liberar para guardar.

A RDC 430/2020, norma da ANVISA de boas práticas de distribuição, pede exatamente isso no art. 56: conferir e registrar lote, validade e quantidade recebida, comparando com o pedido e a nota.

O maior risco aqui é a digitação. Um "2027" que vira "2072" coloca o lote no fim da fila. Sempre que possível, leia o código de barras em vez de digitar. Quando o fornecedor usa o GS1 DataMatrix, lote e validade vêm na leitura.

Parte 2: cada lote no seu endereço

Endereçamento é dar a cada posição do armazém um "endereço", como rua, prédio, nível e posição. O sistema registra qual lote está em cada endereço.

Algumas boas práticas:

  • Não misture lotes na mesma posição, se puder evitar. Quando dois lotes ficam juntos, o separador pega o que está na frente.
  • Use a área de separação e a de reserva (pulmão). A área de separação fica mais perto e mais baixa. A reserva guarda o resto.
  • Reabasteça pela validade. Quando a área de separação esvazia, ela deve receber o lote que vence antes, e não o que está mais fácil de alcançar na reserva.
  • Tenha áreas separadas para vencidos e reprovados. A RDC 430 pede isso no art. 42.
  • Registre toda mudança de lugar. Se alguém move uma caixa sem registrar, o sistema passa a indicar um endereço vazio.

Parte 3: quem escolhe o lote

Aqui está a diferença entre o FEFO "de papel" e o FEFO de verdade.

No FEFO de papel, a lista de separação diz só o produto e a quantidade. O separador escolhe o lote. Em um dia calmo, com uma pessoa experiente, dá certo. Em uma sexta à tarde, com pedidos acumulados, não dá.

No FEFO aplicado pelo sistema, a lista já sai com:

  • O endereço de onde tirar cada item.
  • O lote (ou os lotes) a usar.
  • A quantidade de cada lote.
  • Uma ordem de caminho pelo armazém.

O separador segue a lista. Se ler o código de um lote diferente do indicado, o sistema avisa. Separar fora da regra exige uma ação registrada de quem tem permissão.

Pedido com mais de um lote

Situação comum: o hospital pediu 100 frascos. O lote que vence antes tem 40. O próximo tem 200.

O FEFO puro manda separar os 40 do primeiro lote e completar com 60 do segundo. A nota sai com dois lotes, e tudo bem.

Mas há casos em que a empresa prefere outra regra:

  • O cliente pede lote único. Alguns clientes preferem receber tudo do mesmo lote, para facilitar o controle deles. Se isso for combinado, o sistema precisa respeitar.
  • Muitos lotes pequenos. Se o pedido precisar de cinco lotes diferentes, a conferência fica mais lenta e o erro aumenta. A empresa pode definir um limite de lotes por item.
  • O lote curto não atende à validade mínima do cliente. Aí ele nem entra na conta.

Essas regras devem ser decididas pela gestão e configuradas, não improvisadas pelo separador.

As exceções e como tratar cada uma

Situação O que fazer
Lote em quarentena (devolução em análise, avaria, suspeita de temperatura) Bloquear. Não aparece para separação até ser liberado.
Lote em recall Bloquear em todos os endereços e filiais. Separar para recolhimento.
Cliente ou edital com validade mínima Aplicar o FEFO só entre os lotes que atendem.
Amostra ou bonificação Seguir o fluxo próprio, com a nota e o tratamento fiscal certos.
Lote quase vencendo Mandar para análise antes de separar: troca com fornecedor, venda com aviso ou descarte.
Duas validades iguais Desempatar pela data de entrada (FIFO).

O ponto principal é que a exceção vira um filtro antes da indicação do lote. Não é um aviso depois que o separador já pegou a caixa.

Parte 4: a conferência de saída fecha o ciclo

Separar certo não basta. Antes de fechar o volume, alguém precisa conferir. A conferência de saída compara o que está na caixa com o que o pedido pede: produto, quantidade, lote e validade.

Duas formas comuns:

  • Conferência por leitura. O conferente lê o código de cada item. O sistema compara com a separação.
  • Conferência cega. O conferente não vê a quantidade esperada. Ele conta, e o sistema compara. Assim ele confere de verdade, em vez de só confirmar.

A RDC 430 pede, no art. 59, que os registros de expedição tenham quantidade, lote e validade. É a conferência que garante que a nota fiscal e o que foi para o caminhão batem. Para aprofundar, leia separação e conferência de pedidos.

Parte 5: o registro que fica

Cada separação deveria deixar registrado:

  • Quem separou e quem conferiu, com data e hora.
  • Qual lote saiu e de qual endereço.
  • Em qual nota fiscal e para qual cliente.
  • Se houve exceção, qual foi o motivo e quem autorizou.

Com isso, se o fabricante fizer um recall, a pergunta "quem recebeu o lote X?" tem resposta rápida, sem abrir pilhas de notas. A RDC 430 pede que procedimentos e registros sejam guardados por no mínimo cinco anos depois de ficarem obsoletos (art. 24).

Um dia com FEFO bem feito

Para ficar concreto, veja como fica uma manhã:

  1. 7h: chega a carga do fornecedor. O conferente dá entrada pelo XML e lê os códigos. Um item vem com validade diferente da nota e vai para quarentena.
  2. 8h: o sistema sugere onde guardar cada lote. O auxiliar guarda e confirma os endereços.
  3. 9h: os pedidos do dia são agrupados em ondas por rota. A lista de cada separador já sai com lote e endereço.
  4. 9h30: um separador lê um lote diferente do indicado. O sistema avisa, ele volta e pega o certo.
  5. 10h: o pedido do hospital com validade mínima só recebe lotes que atendem à exigência.
  6. 11h: a conferência de saída lê os itens, fecha os volumes e a nota sai com os lotes certos.
  7. Fim do mês: o gestor olha quanto estoque vence nos próximos 90 dias e decide o que fazer com cada lote.

Ninguém precisou "lembrar" do FEFO. A regra estava no processo.

Checklist de FEFO na separação

  • Todo produto com validade é controlado por lote.
  • Recebimento confere lote e validade contra a nota em todo item.
  • Cada lote tem endereço registrado.
  • O reabastecimento da área de separação segue a validade.
  • A lista de separação indica lote e endereço.
  • Lotes em quarentena e recall ficam bloqueados no sistema.
  • Validade mínima por cliente está cadastrada.
  • Há conferência de saída por leitura.
  • Exceções exigem motivo e autorização.
  • Áreas de vencidos e reprovados são separadas.

Erros comuns

  • Guardar o lote novo na frente do antigo. Fica mais fácil pegar o novo.
  • Mudar caixa de lugar sem registrar. O sistema perde o rastro.
  • Quarentena só com fita no chão. Sem bloqueio no sistema, o lote sai.
  • Ignorar o estoque de reserva. O lote mais curto pode estar lá em cima.
  • Não conferir na saída. O erro da separação vai direto para o cliente.

Perguntas frequentes

O FEFO é obrigatório pela norma?

A RDC 430/2020, que revogou a RDC 304/2019, não usa o termo FEFO. Mas exige registro de lote e validade no recebimento e na expedição e separação dos vencidos. O FEFO é a forma prática de cumprir isso e reduzir perdas.

Posso abrir exceção ao FEFO?

Sim, em casos como quarentena, recall, validade mínima do cliente ou pedido de lote único. Toda exceção deve ter motivo registrado e ser autorizada por quem tem permissão, como o supervisor ou o responsável técnico.

Como fica o FEFO em consignação?

O lote enviado em consignação sai do estoque disponível para venda. Se voltar, ele retorna com a validade original e entra de novo na fila, depois de conferido.

E para material com validade de esterilização?

Alguns materiais médicos estéreis têm validade da esterilização. O sistema deve usar a data de validade que consta no produto e no registro do lote. Na dúvida, siga a data indicada pelo fabricante na embalagem.

Quem deve conferir a saída: o separador ou outra pessoa?

O ideal é outra pessoa ou, no mínimo, uma leitura de código feita por quem não separou. A conferência feita pelo próprio separador tende a repetir o mesmo erro.

Onde o KWeb ajuda

No KWeb, o estoque é controlado por lote e localização, com separação, conferência e expedição acompanhadas em painel na TV, além do inventário. Os aplicativos para Android e iPhone leem o código de barras pela câmera do celular nas rotinas de separar, entrada, inventário e localizações. Para ver o fluxo com a sua operação, solicite uma demonstração.

Fontes

Quer ver isso funcionando no KWeb?

Agende uma demonstração com o comercial da Kralen.