O que é ERP e por que a distribuidora precisa de um
Entenda o que é um ERP, o que ele faz na distribuidora (vendas, notas, estoque, compras e financeiro) e como saber se chegou a hora de ter um.
Por Equipe Kralen · Publicado em
Toda distribuidora começa do mesmo jeito: um programa para emitir nota, uma planilha de estoque, outra de contas a receber e um caderno com os preços combinados com cada cliente. Enquanto a empresa é pequena, isso funciona. O dono sabe de cabeça quem paga em dia, qual produto está acabando e qual fornecedor atrasa.
O problema aparece quando o volume cresce. O vendedor promete um produto que já foi vendido para outro cliente. O caminhão chega e ninguém sabe se o pedido de compra foi feito com o preço certo. O financeiro descobre no fim do mês que três boletos nunca foram enviados. Cada setor tem a sua versão da verdade, e nenhuma delas bate.
Neste artigo você vai entender o que é um ERP, o que ele faz em cada setor da distribuidora, quais sinais mostram que chegou a hora de ter um e como escolher sem cair nas armadilhas mais comuns. Os exemplos servem para distribuidora de alimentos, autopeças, materiais de construção, produtos de limpeza, medicamentos ou qualquer outro ramo.
O que é ERP, em palavras simples
ERP é a sigla em inglês para Enterprise Resource Planning, algo como "planejamento dos recursos da empresa". Na prática, é o sistema de gestão que junta, em um só lugar, as informações de todos os setores. Veja a definição curta no nosso glossário de ERP.
A ideia central é simples: cada informação é digitada uma vez só e vale para todo mundo. Quando o vendedor grava um pedido, o estoque já sabe que aqueles itens estão reservados. Quando a nota é emitida, o contas a receber já tem os títulos. Quando o cliente paga, o financeiro dá a baixa e o vendedor já vê que o crédito foi liberado.
Sem um ERP, a mesma venda é digitada três ou quatro vezes: no programa de pedidos, no emissor de notas, na planilha de estoque e na planilha de cobrança. Cada digitação é uma chance de erro.
O que o ERP faz em cada setor da distribuidora
Uma distribuidora compra em volume, guarda, vende para outras empresas e entrega. O ERP acompanha esse ciclo do começo ao fim.
Cadastros
Tudo começa nos cadastros: produtos, clientes, fornecedores, transportadoras e tabelas de preço. Um bom cadastro de produto guarda a tributação (como o NCM, código que classifica a mercadoria para fins fiscais), as unidades de compra e de venda (caixa, fardo, unidade) e, quando o ramo exige, o controle de lote e validade.
Exemplo: a distribuidora de produtos de limpeza compra água sanitária em caixas com 12 frascos e vende tanto a caixa fechada quanto o frasco avulso. O cadastro precisa saber converter uma coisa na outra, ou o estoque nunca vai bater.
Vendas
O vendedor monta o pedido, o sistema aplica a tabela de preço do cliente, confere o limite de crédito e mostra se há estoque. Se o desconto passar do permitido, o pedido para e espera a liberação de alguém com autorização.
Exemplo: o representante de uma distribuidora de autopeças recebe um pedido de 40 itens de uma oficina. Em vez de ligar para o depósito perguntando o que tem, ele vê o saldo na hora e já avisa o cliente sobre o que vai faltar.
Notas fiscais
A NF-e é a nota fiscal eletrônica. Ela é um arquivo digital que precisa ser enviado e autorizado pela SEFAZ (a Secretaria da Fazenda do estado) antes de a mercadoria sair. O ERP gera a nota a partir do pedido, com os impostos já calculados, e cuida da carta de correção, do cancelamento e da devolução.
Quando a nota sai do próprio pedido, some o erro de digitar quantidade ou preço diferente do que o cliente comprou.
Compras
O comprador vê o que está acabando, quanto vende por mês de cada item e quanto já tem pedido em aberto com os fornecedores. Com isso, decide o que comprar e quanto. Quando a mercadoria chega, a entrada é feita pelo arquivo XML da nota do fornecedor, sem redigitar item por item.
Exemplo: a distribuidora de materiais de construção recebe uma carreta de cimento, argamassa e rejunte. O conferente compara o que chegou com o pedido de compra, e o sistema aponta se o preço da nota veio diferente do combinado.
Estoque e expedição
O estoque mostra quanto existe de cada produto, onde ele está guardado e, se for o caso, de qual lote. A expedição organiza a separação dos pedidos, a conferência e o carregamento. O inventário (a contagem física) serve para corrigir as diferenças.
Financeiro
Contas a receber, contas a pagar, boletos, Pix, conciliação bancária (conferir o extrato do banco com o que está no sistema) e relatórios como a DRE, que mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo no período.
Relatórios e indicadores
Como tudo está no mesmo lugar, o ERP responde perguntas que antes levavam dias: qual cliente parou de comprar, qual produto dá mais margem, qual vendedor dá mais desconto, quanto dinheiro está parado em estoque. Ferramentas como a curva ABC de estoque e o giro de estoque dependem desses dados.
ERP, emissor de nota e planilha: qual a diferença
Muita distribuidora acha que já tem um "sistema" porque usa um emissor de notas. A tabela abaixo mostra o que cada ferramenta resolve.
| O que você precisa | Planilha | Emissor de nota | ERP |
|---|---|---|---|
| Emitir NF-e | Não | Sim | Sim |
| Baixar estoque ao faturar | Manual | Às vezes | Sim |
| Reservar estoque no pedido | Não | Não | Sim |
| Conferir limite de crédito do cliente | Manual | Não | Sim |
| Gerar boletos e dar baixa | Não | Não | Sim |
| Sugerir o que comprar | Manual | Não | Sim |
| Mostrar margem por pedido | Manual | Não | Sim |
| Vários usuários ao mesmo tempo | Difícil | Limitado | Sim |
A planilha é ótima para análise pontual. O emissor resolve a obrigação fiscal. O ERP liga as pontas.
Sinais de que a distribuidora precisa de um ERP
Não existe um faturamento mínimo para ter ERP. O que existe são sintomas. Se você reconhece três ou mais da lista abaixo, provavelmente já passou da hora:
- O estoque do sistema quase nunca bate com o da prateleira.
- O vendedor vende o que não tem, e o cliente só descobre na entrega.
- O mesmo pedido é digitado em mais de um lugar.
- Ninguém sabe dizer, sem fazer conta, qual foi a margem do mês.
- Boletos são esquecidos ou enviados com valor errado.
- O comprador decide o pedido "de olho", sem saber quanto vende de cada item.
- Notas voltam rejeitadas pela SEFAZ por erro de tributação, e só uma pessoa sabe corrigir.
- O fechamento do mês com o contador leva dias de troca de planilhas.
- Quando um funcionário sai de férias, o setor dele para.
O que o ERP muda no dia a dia
Na prática, o ganho aparece em três lugares.
Menos retrabalho. Cada informação entra uma vez. O tempo que a equipe gastava digitando e conferindo vai para vender, comprar melhor e cobrar.
Menos erro. O preço vem da tabela, o imposto vem do cadastro, a quantidade vem do pedido. O erro humano não some, mas cai muito.
Decisão com número. Em vez de "acho que o produto X vende bem", o dono vê quanto vendeu, com que margem, para quais clientes e com que frequência.
Um exemplo: uma distribuidora de alimentos atende 300 mercadinhos. Sem sistema integrado, ela descobre que um cliente sumiu só quando o vendedor lembra dele. Com um ERP, um relatório mostra todo mês quem comprava toda semana e parou, e o vendedor liga antes que o concorrente ocupe o espaço.
Passo a passo para escolher e implantar um ERP
- Liste os problemas, não as funções. Escreva os cinco problemas que mais custam dinheiro hoje (estoque errado, inadimplência, nota rejeitada). Eles vão guiar a escolha.
- Mapeie o caminho do pedido. Do pedido do cliente até o dinheiro no banco: quem faz o quê, em que ordem e com qual documento.
- Separe o que é obrigatório do que é desejável. Para uma distribuidora de medicamentos, lote e validade são obrigatórios. Para uma de autopeças, a busca por aplicação do produto pode ser essencial.
- Peça uma demonstração com os seus casos. Leve um pedido real, uma nota de entrada real e uma devolução real. Veja o sistema fazendo, não só os slides.
- Decida onde o sistema vai rodar. Na internet ou em um servidor dentro da empresa. Explicamos as diferenças em ERP online ou instalado.
- Limpe os cadastros antes de migrar. Produto duplicado, cliente sem CNPJ e tributação errada vão junto para o sistema novo se ninguém corrigir antes.
- Treine por função. O faturista não precisa aprender o módulo de compras. Cada pessoa aprende o que usa.
- Defina uma data de virada e acompanhe as primeiras semanas. O começo é quando aparecem os ajustes. Tenha alguém responsável por anotar e resolver.
Erros comuns na hora de adotar um ERP
- Escolher só pelo preço. O sistema mais barato pode sair caro se exigir planilhas paralelas para cobrir o que ele não faz.
- Querer copiar o jeito antigo. O ERP é uma chance de arrumar processos. Personalizar tudo para ficar igual ao que existia leva os mesmos problemas para o sistema novo.
- Migrar dados sujos. Cadastro ruim gera nota rejeitada, estoque errado e relatório que ninguém confia.
- Não envolver quem opera. Se o faturista e o conferente não participam da escolha, eles vão encontrar jeitos de não usar o sistema.
- Ignorar o suporte. Pergunte como funciona o atendimento, em que horário e por quais canais. Nota parada na SEFAZ não espera o dia seguinte.
- Achar que o ERP resolve sozinho. O sistema organiza a informação. As regras (quem libera desconto, quem aprova crédito) quem define é a empresa.
Perguntas frequentes
ERP é só para empresa grande?
Não. Uma distribuidora com cinco funcionários já tem vendas, notas, estoque e financeiro para controlar. Hoje existem sistemas em que a empresa contrata só os módulos que usa, o que cabe em operações menores.
Qual a diferença entre ERP e sistema de gestão?
Na prática, nenhuma. "Sistema de gestão" é o nome em português para o mesmo tipo de programa. Alguns fornecedores usam "sistema de gestão" para produtos mais simples, mas o conceito é o mesmo.
O ERP substitui o contador?
Não. O ERP organiza os dados e gera arquivos como o SPED, o sistema digital da Receita Federal que recebe a escrituração fiscal. O contador continua responsável pela análise, pela apuração dos impostos e pela orientação tributária. O que muda é que ele recebe as informações mais rápido e mais corretas.
Quanto tempo leva para implantar um ERP?
Depende do tamanho da empresa, da qualidade dos cadastros e de quantos módulos vão entrar. Desconfie de promessas de prazo fixo antes de o fornecedor conhecer a sua operação. Veja o que esperar de cada etapa em implantação de sistema de gestão.
Preciso de um ERP específico para o meu ramo?
Alguns ramos têm exigências próprias. Distribuidoras de medicamentos precisam de controle de lote, validade e regras sanitárias. Distribuidoras de alimentos também lidam com validade curta. Já uma distribuidora de materiais de construção pode precisar vender por metro ou por peso. Verifique se o sistema atende essas particularidades sem gambiarra.
Dá para usar o ERP pelo celular?
Depende do sistema. ERPs que rodam na internet costumam abrir no navegador do celular, o que ajuda vendedores externos e gerentes que estão fora da empresa.
Onde o KWeb entra
O KWeb é o sistema de gestão da Kralen na internet. Ele abre no navegador e no celular, sem instalar, e a distribuidora contrata só os módulos que usa: vendas, notas fiscais, compras, estoque e expedição e financeiro, entre outros. Se quiser ver como ele funciona com os seus casos reais, solicite uma demonstração.