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Curva ABC de estoque: como fazer e usar na distribuidora

Aprenda a montar a curva ABC de estoque passo a passo, com exemplo, e a usar as classes A, B e C para comprar, contar e vender melhor.

Por Equipe Kralen · Publicado em

Uma distribuidora média tem centenas ou milhares de produtos cadastrados. Nenhum comprador consegue dar a mesma atenção a todos. Na prática, alguns poucos itens respondem pela maior parte do faturamento, e uma longa lista de produtos vende pouco, mas ocupa prateleira, capital e tempo de contagem.

A curva ABC é a ferramenta que mostra quem é quem. Ela separa os produtos em três grupos pela importância: A (os poucos que pesam muito), B (os intermediários) e C (os muitos que pesam pouco). Com essa separação, o comprador sabe onde não pode faltar, o estoquista sabe o que contar com mais frequência e o dono sabe onde está o dinheiro.

Neste artigo você vai aprender a montar a curva ABC passo a passo, com um exemplo de distribuidora de produtos de limpeza, e a usar o resultado em compras, estoque, inventário e vendas. Veja também a definição curta em curva ABC no glossário.

O que é a curva ABC

A curva ABC é uma classificação dos produtos pela participação de cada um em um total, geralmente o valor vendido em um período. Ela se apoia numa observação antiga: em quase todo negócio, poucos itens concentram a maior parte do resultado. Essa ideia é conhecida como princípio de Pareto, ou regra do 80/20.

O nome "curva" vem do gráfico: quando você coloca os produtos em ordem do maior para o menor e soma os percentuais, a linha sobe rápido no começo (os itens A) e depois fica quase deitada (os itens C).

As três classes

Não existe um corte oficial. Os percentuais mais usados são de referência e cada empresa pode ajustar. Uma divisão comum por valor acumulado é:

Classe Faixa do valor acumulado O que costuma representar
A Até cerca de 80% Poucos itens, muito importantes
B De 80% a 95% Itens intermediários
C De 95% a 100% Muitos itens, pouco peso no total

Outra forma de ver é pela quantidade de itens. Um material do Sebrae sobre indicadores de estoque usa como referência cerca de 20% dos itens na classe A, 30% na B e 50% na C, e lembra que esses números não são fixos. O importante é o raciocínio, não o percentual exato.

Qual critério usar: valor, quantidade ou margem

A curva ABC pode ser feita com critérios diferentes, e cada um responde a uma pergunta.

  • Valor vendido (faturamento): mostra quais produtos trazem mais dinheiro. É o critério mais comum.
  • Quantidade vendida: mostra o que sai mais. Útil para organizar o depósito, porque produto que sai muito deve ficar perto da expedição.
  • Margem (lucro bruto): mostra quais produtos realmente sustentam a empresa. Um item pode faturar muito com margem pequena.
  • Valor em estoque (custo): mostra onde está o dinheiro parado. Útil para o financeiro.
  • Clientes: a mesma lógica serve para classificar clientes pelo quanto compram.

Exemplo: numa distribuidora de autopeças, filtro de óleo pode ser A em quantidade, enquanto um kit de embreagem é A em valor. Os dois são importantes, mas por motivos diferentes. Um vai para perto da expedição; o outro não pode faltar na compra.

Como fazer a curva ABC passo a passo

Você pode fazer numa planilha ou tirar pronta do sistema de gestão. O método é o mesmo.

  1. Escolha o período. Doze meses é um bom padrão, porque inclui as variações do ano. Para produtos muito sazonais, compare também com o mesmo período do ano anterior.
  2. Escolha o critério. Para começar, use o valor vendido.
  3. Liste os produtos com o total do período. Uma linha por produto, com o valor vendido.
  4. Ordene do maior para o menor.
  5. Calcule a participação de cada produto. Divida o valor do produto pelo total geral e multiplique por 100.
  6. Calcule o percentual acumulado. Some a participação do produto com a de todos os que vieram antes dele.
  7. Classifique. Até cerca de 80% acumulado é A, até 95% é B, o restante é C.
  8. Revise os casos de fronteira. Um produto que ficou em 80,5% pode ser tratado como A se for estratégico.

Exemplo prático: distribuidora de produtos de limpeza

Imagine uma distribuidora de produtos de limpeza que vendeu R$ 300.000 em dez produtos no período. Na vida real são centenas de itens, mas o exemplo pequeno mostra o cálculo.

Produto Vendido (R$) Participação Acumulado Classe
Detergente líquido 500 ml 96.000 32,0% 32,0% A
Água sanitária 2 L 72.000 24,0% 56,0% A
Desinfetante 2 L 54.000 18,0% 74,0% A
Papel toalha (fardo) 30.000 10,0% 84,0% B
Saco de lixo 100 L 18.000 6,0% 90,0% B
Esponja dupla face 10.800 3,6% 93,6% B
Luva de látex 7.200 2,4% 96,0% C
Pano de chão 5.400 1,8% 97,8% C
Rodo 40 cm 3.600 1,2% 99,0% C
Balde 10 L 3.000 1,0% 100,0% C
Total 300.000 100%

Leitura rápida: três produtos (30% da lista) fazem 74% do faturamento. Se faltar detergente, a empresa sente no mesmo mês. Se faltar balde, quase ninguém percebe no resultado.

Com uma lista real de mil itens, a concentração costuma ser ainda mais forte: poucas dezenas de produtos na classe A e a maior parte na C.

Como usar a curva ABC na distribuidora

Fazer a curva é a parte fácil. O valor está no que você muda depois.

Nas compras

  • Classe A: acompanhe de perto, idealmente toda semana. Negocie preço e prazo com mais de um fornecedor. Não deixe faltar.
  • Classe B: revisão periódica, com estoque de segurança moderado.
  • Classe C: compre em lotes maiores e com menos frequência, para reduzir o trabalho de pedido. Mas cuidado para não encher o depósito de item que gira pouco.

Cruzar a classe com o giro de estoque ajuda: um item C com giro muito baixo é candidato a sair do mix. Também vale olhar o prazo de reposição do fornecedor, o tempo entre fazer o pedido e a mercadoria chegar.

No estoque e no depósito

Use a curva por quantidade para decidir onde cada produto fica. Os itens que mais saem devem ficar perto da área de separação, na altura das mãos. Isso reduz o caminho do separador e acelera a expedição. Veja mais sobre isso em endereçamento e picking, que é a separação dos itens do pedido.

No inventário

Contar tudo de uma vez para a operação. Uma alternativa é o inventário rotativo: contar um pedaço do estoque por vez, com frequência maior para os itens mais importantes. Uma regra prática:

  • Itens A: contagem frequente, por exemplo todo mês.
  • Itens B: a cada poucos meses.
  • Itens C: uma ou duas vezes por ano.

Assim, os erros que mais custam são encontrados primeiro.

Na validade

Em ramos com prazo de validade, como alimentos, bebidas, cosméticos e medicamentos, a curva C merece atenção extra. Produto que gira pouco tem mais chance de vencer na prateleira. Na hora de comprar item C perecível, compre menos e mais vezes, mesmo que o preço unitário fique um pouco maior.

Nas vendas

A curva ABC de clientes mostra quem sustenta a empresa. Os clientes A merecem visita frequente, atendimento rápido e atenção a qualquer queda nas compras. Os clientes C podem ser atendidos por canais mais baratos, como telefone, WhatsApp ou um portal B2B, em que o próprio cliente faz o pedido.

Curva ABC cruzada: duas visões ao mesmo tempo

Uma análise mais completa cruza dois critérios. Por exemplo, faturamento com margem:

Item Margem A Margem B Margem C
Faturamento A Proteger a todo custo Manter e negociar Vende muito, ganha pouco: revisar preço
Faturamento C Nicho lucrativo: divulgar Avaliar Candidato a sair do mix

Exemplo: uma distribuidora de materiais de construção descobre que o cimento é A em faturamento e C em margem. Ele traz o cliente, mas não paga a conta. Já os acabamentos são C em faturamento e A em margem. A decisão pode ser oferecer acabamentos a todo cliente que compra cimento.

Erros comuns

  • Fazer uma vez e esquecer. O mercado muda. Refaça a curva pelo menos a cada trimestre.
  • Usar só um critério. Faturamento sozinho esconde produto que vende muito e dá prejuízo.
  • Período curto demais. Um mês só pode colocar um item sazonal na classe errada.
  • Cortar item C sem pensar. Alguns itens C completam o pedido do cliente. Se faltar, ele compra tudo no concorrente.
  • Misturar unidades. Somar caixas com unidades distorce a curva por quantidade. Converta tudo para a mesma unidade.
  • Ignorar produtos novos. Item lançado há dois meses vai aparecer como C. Analise à parte.

Checklist rápido

  • Período definido (de preferência 12 meses)
  • Critério escolhido (valor, quantidade, margem ou estoque)
  • Produtos ordenados do maior para o menor
  • Participação e acumulado calculados
  • Classes A, B e C marcadas
  • Regras de compra definidas para cada classe
  • Frequência de contagem definida para cada classe
  • Data marcada para refazer a curva

Perguntas frequentes

Os percentuais 80/15/5 são obrigatórios?

Não. São uma referência. Cada empresa ajusta os cortes à sua realidade. O que importa é separar os poucos itens que pesam muito dos muitos que pesam pouco.

Com que frequência devo refazer a curva ABC?

Uma boa prática é revisar a cada trimestre, ou todo mês se o sistema gerar a curva sozinho. Em ramos com época forte de vendas, compare também com o ano anterior.

Curva ABC serve para clientes e fornecedores?

Sim. A lógica é a mesma. Para clientes, use o valor comprado ou a margem gerada. Para fornecedores, use o valor comprado, o que ajuda a decidir com quem negociar primeiro.

Qual a diferença entre curva ABC e giro de estoque?

A curva ABC mostra a importância de cada item no total. O giro mostra quantas vezes o estoque de um item se renova no período. Os dois juntos dizem muito: um item A com giro baixo indica estoque exagerado de um produto importante.

Dá para fazer curva ABC em planilha?

Dá, com os passos deste artigo. O trabalho é exportar os dados de vendas, ordenar e calcular. O ponto fraco é manter atualizado. Com o sistema de gestão gerando o relatório, a curva fica sempre em dia.

Onde o KWeb entra

No KWeb, sistema de gestão da Kralen na internet, os relatórios são personalizáveis e há painel de indicadores, o que permite montar a curva ABC pelo critério que você escolher. A necessidade de compra ajuda o comprador a decidir o que repor, e o módulo de estoque e expedição controla saldo por localização e inventário. Solicite uma demonstração para ver com os seus dados.

Fontes

Quer ver isso funcionando no KWeb?

Agende uma demonstração com o comercial da Kralen.