Portal B2B: o que é e como ajuda a distribuidora a vender mais
Entenda o que é um portal B2B, como ele recebe pedidos de clientes 24 horas, quais recursos importam, como implantar e os erros que a distribuidora deve evitar.
Por Equipe Kralen · Publicado em
Imagine o comprador de um supermercado que fecha o pedido da semana às 22h, depois de conferir as gôndolas. Ou o dono de uma loja de material de construção que quer repor cimento e argamassa no domingo. Se a única forma de comprar da sua distribuidora é ligar para o vendedor ou mandar mensagem, esse pedido espera até segunda. Às vezes, vai para o concorrente.
O portal B2B resolve esse problema. É uma loja virtual feita para clientes empresa, onde cada um entra com login, vê os próprios preços e faz o pedido quando quiser. O vendedor continua importante, mas para de gastar tempo digitando pedidos de reposição.
Neste artigo você vai entender o que é um portal B2B, em que ele é diferente de uma loja virtual comum, quais recursos realmente importam, como implantar e quais erros evitar.
O que é B2B e o que é um portal B2B
B2B vem do inglês business to business, ou seja, "empresa para empresa". É a venda em que o comprador é outra empresa: a farmácia, a oficina, o restaurante, a construtora, o hospital.
Portal B2B é o site onde esses clientes compram da distribuidora pela internet. Ele é ligado ao sistema de gestão (ERP) da distribuidora. Assim, preço, estoque, limite de crédito e títulos em aberto vêm do mesmo lugar que o vendedor usa.
Portal B2B x loja virtual comum
| Item | Loja virtual comum (para consumidor) | Portal B2B (para empresas) |
|---|---|---|
| Quem compra | Qualquer pessoa | Clientes cadastrados e aprovados |
| Preço | Igual para todos | Por cliente, tabela, região ou volume |
| Pagamento | Cartão e Pix na hora | Boleto a prazo, conforme o limite de crédito |
| Pedido mínimo | Raro | Comum (valor ou quantidade) |
| Embalagem | Unidade | Caixa, fardo, unidade, conforme o produto |
| Tributação | Consumidor final | Depende do cliente (contribuinte, regime, estado) |
| Recompra | Esporádica | Frequente, com lista de itens habituais |
Por isso, adaptar uma loja virtual comum para vender a empresas costuma dar trabalho. As regras de preço e de crédito do atacado são o coração do B2B.
Como o portal ajuda a vender mais
O portal não cria demanda sozinho. Ele tira barreiras do caminho de quem já quer comprar.
- Pedido a qualquer hora. O cliente compra quando tem tempo, inclusive fora do horário comercial.
- Menos erro de digitação. O próprio cliente escolhe o produto e a quantidade. Some o "eu pedi 10 caixas, não 10 unidades".
- Recompra rápida. O cliente repete o último pedido ou parte de uma lista de itens habituais.
- Mais itens por pedido. Com o catálogo à vista, o cliente descobre produtos que não sabia que você vendia.
- Vendedor focado em vender. Em vez de digitar pedidos, ele visita clientes novos, negocia volumes e recupera clientes parados.
- Informação sem ligação. O cliente consulta segunda via de boleto, notas e situação do pedido no portal.
Exemplos por ramo
- Distribuidora de alimentos e bebidas: o mercadinho repete o pedido semanal de arroz, feijão e óleo em poucos cliques e vê a promoção da semana.
- Distribuidora de autopeças: a oficina busca pela aplicação ou pelo código e vê na hora se tem em estoque.
- Distribuidora de materiais de construção: a construtora acompanha o pedido grande que sai em várias entregas.
- Distribuidora de produtos de limpeza: o condomínio compra o kit mensal com desconto por volume.
- Distribuidora de material médico-hospitalar: a clínica compra luvas e seringas fora do horário e consulta a validade do lote antes da entrega.
Recursos que fazem diferença
Nem todo portal B2B é igual. Na hora de escolher, confira estes pontos.
Preço e condições do cliente
- Tabela de preço por cliente, grupo ou região.
- Promoções, descontos progressivos por quantidade e combos.
- Pedido mínimo e condições de pagamento do cadastro.
- Impostos calculados conforme o cliente (o mesmo produto pode ter carga diferente para clientes diferentes).
Estoque e catálogo
- Estoque atualizado a partir do sistema de gestão.
- Fotos, descrições, códigos, unidades de venda (caixa, fardo, unidade).
- Busca por nome, código, marca e, quando fizer sentido, aplicação.
Crédito e financeiro
- Limite de crédito respeitado no fechamento do pedido.
- Aviso de títulos vencidos.
- Segunda via de boleto e consulta de notas.
Atendimento
- Chat para tirar dúvidas, ligado à mesma fila do WhatsApp e do telefone.
- Vendedor da carteira avisado quando o cliente faz pedido.
Sua marca
- Endereço e visual com a marca da distribuidora, não do fornecedor do sistema.
Qual canal para cada tipo de cliente
O portal não precisa atender todos os clientes do mesmo jeito. Use a tabela para pensar na sua carteira.
| Tipo de cliente | Canal mais indicado | Por quê |
|---|---|---|
| Compra toda semana os mesmos itens | Portal B2B | Repete o pedido sozinho, a qualquer hora |
| Compra grande e negocia preço | Vendedor, com o portal para acompanhar | A negociação precisa de conversa |
| Pede pelo celular, com pressa | WhatsApp, virando empenho | É o hábito do cliente |
| Compra avulsa, sem cadastro | Marketplace ou loja virtual | Não justifica crédito nem tabela própria |
| Cliente novo | Vendedor primeiro, portal depois | Cadastro e crédito precisam de análise |
Segurança e dados dos clientes
O portal guarda nomes, telefones e e-mails dos compradores dos seus clientes. Esses são dados pessoais protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Na prática:
- Cada comprador deve ter login próprio, sem senha compartilhada.
- Quando um funcionário do cliente sai, o acesso dele deve ser desativado.
- Use os dados de contato para a finalidade combinada (pedidos, cobrança, avisos) e peça permissão para enviar promoções.
- Prefira portais com verificação em duas etapas para o acesso da sua equipe.
Passo a passo para implantar
- Arrume o cadastro dos produtos. Nome claro, foto, unidade de venda, código de barras. Portal com cadastro ruim afasta o cliente.
- Revise as tabelas de preço. Defina qual tabela cada cliente vê. Elimine preços "combinados de boca" que só o vendedor conhece.
- Revise o limite de crédito dos clientes. O portal vai aplicar o que estiver no cadastro.
- Escolha um grupo piloto. Comece com 10 a 30 clientes que já compram com frequência e usam computador ou celular no dia a dia.
- Envolva os vendedores. Deixe claro como fica a comissão dos pedidos feitos pelo portal. Sem isso, o vendedor não vai incentivar o cliente a usar.
- Ensine o cliente. Um vídeo curto, um passo a passo em PDF ou uma visita do vendedor para o primeiro pedido.
- Acompanhe os primeiros pedidos. Confira preços, impostos e prazos. Corrija rápido o que estiver errado.
- Amplie aos poucos. Depois do piloto, convide a carteira toda.
- Meça. Percentual de pedidos pelo portal, ticket médio, itens por pedido e clientes ativos no portal.
Checklist antes de abrir o portal
- Produtos com foto, descrição e unidade de venda corretas.
- Tabelas de preço e promoções revisadas.
- Limites de crédito atualizados.
- Regra de comissão dos vendedores definida.
- Pedido mínimo e frete definidos.
- Teste de pedido com clientes de estados e regimes diferentes.
- Canal de atendimento para dúvidas do portal.
- Material de treinamento para clientes.
Erros comuns
- Abrir para todos de uma vez. Qualquer erro de preço vira problema em escala.
- Deixar o vendedor de fora. Se ele sentir que perde comissão, o portal morre.
- Estoque desatualizado. O cliente compra, o produto não existe, e ele não volta ao portal.
- Preço do portal diferente do preço do vendedor. O cliente perde a confiança nos dois.
- Ignorar o crédito. Portal que aceita pedido de cliente bloqueado cria trabalho para o financeiro.
- Não divulgar. O portal existe, mas ninguém sabe. Coloque o endereço na nota, no boleto e na assinatura do e-mail.
Depois que o portal está rodando, ele também ajuda a identificar clientes que pararam de comprar, um tema que tratamos ao falar de CRM. E, se a sua dúvida é por onde começar a organizar a gestão, veja o que é ERP e por que a distribuidora precisa de um.
Perguntas frequentes
Portal B2B substitui o vendedor?
Não. Ele tira do vendedor o trabalho de digitar pedidos de reposição. O vendedor ganha tempo para negociar, abrir clientes e cuidar das contas grandes.
Como fica a comissão de pedidos feitos pelo portal?
É uma decisão da empresa. Muitas distribuidoras mantêm a comissão para o vendedor da carteira, para que ele incentive o uso. Defina a regra antes de lançar.
O cliente vê o mesmo preço que o vendedor oferece?
Deveria. O portal precisa usar as mesmas tabelas e regras do sistema de gestão. Diferenças geram desconfiança.
Preciso de um portal se já vendo em marketplace?
São canais diferentes. O marketplace atrai compradores novos e avulsos. O portal B2B atende a sua carteira, com seus preços e condições. Veja também como vender no Mercado Livre.
Funciona no celular?
Um bom portal precisa funcionar no celular. Muitos compradores fazem pedidos pelo telefone, no meio do expediente.
Quanto tempo leva para os clientes começarem a usar?
Varia muito de carteira para carteira. Começar com um grupo piloto e com o apoio dos vendedores costuma acelerar a adoção.
Como o KWeb ajuda
O KWeb tem Portal B2B com a marca da distribuidora, usando as mesmas tabelas de preço, promoções, descontos progressivos e combos do sistema. O chat do portal cai na mesma fila de atendimento do WhatsApp. Conheça os detalhes em aplicativos e Portal B2B.
Fontes
- Planalto. Lei nº 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm