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OPME consignado em sala cirúrgica: como a distribuidora controla peças que estão no hospital

OPME em consignação hospitalar é o modelo de OPME mais usado no Brasil — peças no estoque do hospital, faturamento após uso. Como o ERP gerencia estoque que fisicamente não está no centro de distribuição.

Admin Kralen
Equipe Kralen
Capa do artigo: OPME consignado em sala cirúrgica — controle pela distribuidora médico-hospitalar
Neste artigo

OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais) em consignação é o modelo comercial dominante para implantes ortopédicos, cardiológicos e neurocirúrgicos no Brasil. A distribuidora envia peças para o estoque da sala cirúrgica do hospital; o faturamento só acontece após confirmação do uso. O modelo é prático para o hospital mas exige controle sistêmico rigoroso da distribuidora.

Como funciona o modelo

  1. Disponibilização: distribuidora envia kit cirúrgico ou portfolio de peças para o estoque da sala cirúrgica do hospital — geralmente baseado em agenda de procedimentos ou padronização contratual.
  2. Procedimento: cirurgião escolhe a peça no momento da cirurgia, usa o que precisar.
  3. Comprovação de uso: hospital reporta uso via formulário (físico ou eletrônico), com peça específica (número de série), paciente, data e cirurgião.
  4. Faturamento: distribuidora fatura a peça usada. Peças não-usadas ficam no estoque consignado ou retornam.
  5. Devolução / reposição: peças não-usadas voltam à distribuidora (com inspeção de integridade) ou ficam para próximo uso.

Riscos clássicos

Peça perdida no hospital

Item entra na sala, não volta, não foi reportado como usado. Acontece com frequência em hospitais sem controle interno robusto. Distribuidora absorve a perda ou negocia ajuste com o cliente.

Vencimento sem uso

OPME tem validade (esterilidade + estabilidade do material). Peça consignada por meses pode vencer sem nunca ter sido usada. A distribuidora paga o custo da peça vencida e o custo de descarte regulatório.

Mistura de lotes

Sem identificação por série, peça com lote A pode ser confundida com lote B no estoque do hospital. Em recall, a rastreabilidade quebra.

Negociação de preço pós-uso

Hospital pode contestar preço após o uso ("foi cobrado o caro, mas a peça era do meu protocolo"). Distribuidora sem documentação clara de qual peça foi usada perde a discussão.

Como o ERP deve tratar OPME consignado

Posição "estoque consignado" como categoria separada

O estoque da distribuidora tem três estados básicos: aprovado (vendável), quarentena, rejeitado. OPME consignado precisa de quarta categoria — peça pertence à distribuidora mas está fisicamente no hospital.

Identidade por número de série

Cada peça tem identidade única. Não é "5 peças do modelo X em estoque consignado no hospital Y" — é "peça série 12345 + série 67890 + série 13579 + série 24680 + série 11111 no hospital Y".

Workflow de uso e devolução

Hospital reporta uso → ERP fatura a peça específica → peça muda de "consignado" para "vendido" → próxima reposição é programada.

Hospital devolve peça → ERP recebe → inspeção visual (embalagem íntegra? validade?) → retorno ao estoque ou descarte com motivo registrado.

Alerta de vencimento

Peça consignada com validade próxima (60 dias) gera alerta. Distribuidora ou hospital toma ação: usar, transferir para outro hospital, devolver para descarte controlado.

Auditoria de inventário consignado

Periodicamente (mensal ou trimestral), distribuidora visita o hospital e confere o estoque físico contra o sistema. Divergências viram pendência. Sem ERP que liste peça por série, a auditoria é inviável.

Cláusulas contratuais que sustentam o modelo

  • Prazo de comunicação de uso: hospital deve reportar uso em 48-72h após a cirurgia.
  • Prazo de devolução: peças não-usadas com validade próxima devem ser devolvidas em X dias.
  • Validade na devolução: peça com mais de 80% da validade restante volta sem ônus; menos, hospital absorve parcial.
  • Inventário cíclico: auditoria conjunta a cada N meses, com divergências resolvidas em 30 dias.
  • Recall: hospital tem obrigação de comunicar imediatamente uso de peça sob recall.

O modelo digital de comprovação de uso

Cada vez mais hospitais aceitam comprovação eletrônica — em vez de formulário físico que vira PDF que vira lançamento manual no ERP da distribuidora, há integração via API ou portal web. O ciclo de faturamento cai de semanas para dias.

Distribuidora que oferece esse fluxo digital ganha eficiência operacional e pode disputar contratos onde a margem está apertada.

Perguntas frequentes

Quem é o dono da peça consignada?

A distribuidora. Contabilmente, a peça segue como estoque da distribuidora até o faturamento (uso confirmado). O hospital tem posse física, não propriedade.

OPME consignado tem ICMS na movimentação?

A movimentação de remessa para consignação tem regime fiscal específico (CFOP 5.917/6.917 ou similar conforme UF). Não é venda — é remessa em consignação. ICMS incide na venda definitiva (faturamento após uso).

O que fazer com peça consignada se a distribuidora encerra a operação?

Devolução negociada — hospital devolve estoque consignado contra acerto. Caso de força maior pode envolver negociação caso a caso, mas a peça nunca passa a ser do hospital sem faturamento.

Hospital pode usar OPME consignado em qualquer paciente?

Sim, desde que o produto tenha indicação clínica adequada. A distribuidora não restringe uso por paciente — apenas exige reporte e faturamento após o uso.

Referências oficiais

Última revisão editorial: maio de 2026.

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